quarta-feira, 9 de maio de 2012

SOZINHA.

Sentei na varanda,
o frio dominava a rua, deserta e crua,
o café esfriando na xícara,
o silêncio era quebrado pelo vento,
o cigarro na mão,
uma cena patética de despedida,
o vazio dominou o ambiente,
me senti refém do meu silêncio,
inerte na minha dor, abriu a porta o desamor.

Relembro aquela linda primavera,
um jardim coberto de rosas,
os  pássaros e borboletas voando,
cenário de um puro encantamento,
a felicidade de um recente casamento,
tudo era perfeito,
um convite a eternidade do nosso amor,
em breve o calor do verão,
eram momentos de pura paixão.

Momentos que pairam na minha memória,
um passado tão recente, ainda estávamos plantando as sementes,
mas não foi regado o suficiente, as tempestades foram intensas,
o céu cinza desabou este castelo,
um tsunami de intrigas invadiu o meu ser, não era mais eu,
a dor da dúvida  enraizou em mim,
ruiu o meu mundo de fantasia,
deixei de ser menina, nasceu a árdua mulher,
conheci o mal me quer.

Meus cacos estou juntando,
varrendo as lamas que entrou no meu ser,
destroços de mentiras, traições mal resolvidas,
o outono da agonia se juntou ao inverno do ódio,
congelaram a minha esperança,
destruíram os meus sonhos,
as lavas queimaram a minha verdade,
as geleiras apagaram as chamas do meu amor,
tudo foi para o chão, acabou tudo em desamor, em um grito de dor.

Hoje, ainda não dormi, o jornal ainda não li,
a minha mente está vazia,
sinto um gosto de fel na minha boca,
mas a minha alma está leve,
mandei embora a minha dor,
não quero ainda um novo amor,
quero a solidão como companhia,
refazer a minha vida, acreditar que ainda sou menina,
deixar entrar a fantasia, ai sim, serei feliz, sozinha.

MÁRCIA MOLARINO. (Direitos Reservados).

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