Em vi o menino correndo descalço no chão de barro,
vi seus sonhos sendo jogados no abismo do descaso,
vi a juventude se perdendo dos seus sonhos,
vi o garoto gritando para o tempo voltar,
queria o seu lugar na história,
mas os seus dirigentes haviam o seu futuro destruído,
o seu mundo perdeu o sentido,
se tornou um pobre mendigo.
Eu vi aquela estrada sendo construída,
vi vários arranha-céus cobrindo à vista da linda cidade,
vi partindo a minha fantasia,
estou procurando outros horizontes,
para trazer de volta a minha fé,
porque hoje estou vazia,
como a mesa dos meus irmãos,
que foram enganados por esta nação,
que nem direito ao chão tiveram após a morte,
foram enterrados como indigentes sem pai e mãe.
Vi moço a criança morrendo,
o idoso sem força trabalhando,
vi os pratos vazio desta nação,
vi todos chorando pela seca,
vi o gado atrofiando de sede,
vi os rios secando,
vi o governo engordando,
enquanto o povo sofria em demasia.
Vi a estrada encurtando,
vi a tristeza nascendo no olhar do ancião,
que sem dinheiro para o remédio,
perde a vida nas filas das esmolas alheias,
vi a mãe chorando pelos filhos,
vi os filhos chorando sem mãe,
vi a terra chorando pelo povo,
de tanto desgosto.
Vi médico fazendo bico de garçom para pagar escola dos filhos,
engenheiro fazendo calçada no final de semana,
agrônomo fazendo horta para vender alface,
vi professor pedindo esmola para os alunos terem merenda,
e ajudar também na sua renda,
não vi ninguém brigando por seus direitos nas ruas,
parece que nesta nação todos vivem no mundo da lua,
até quando vou ver dinheiro indo para fora,
quando não é para pagar dívida e para ajudar os outros,
até quando vamos ser colocados em segundo plano?
MÁRCIA MOLARINO _ (Direitos Reservados)
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