Quando olhamos para o horizonte,
percebemos que algo distante e ameaçador parece se aproximar,
quanto mais caminhamos,
mais perto estamos de descobrir que não existe ameaça,
apenas reflexo do nosso medo interno.
Quando admiramos o universo,
tememos que nos devore,
que de uma hora para outra nos consuma,
quanto mais contemplamos,
descobrimos que temos medo do universo que criamos em nós.
Quando contemplamos o nosso próximo,
tememos que ele nos ataque,
que nos domine,
que nos consuma,
porque na verdade queremos dominá-lo e consumi-lo,
porque somos lobos e não cordeiros.
Não temos medo do externo porque é mais fácil de descrever,
porque é mais fácil de não se envolvermos,
porque é mais fácil de não nos condenarmos,
porque muitas vezes enxergamos do lado de fora,
o reflexo do que somos por dentro.
Não somos ovelhas,
não somos santas,
não somos monstros,
não somos ladrões,
apenas somos antagônicos,
vivendo e lutando entre o bem e o mal,
tentando salvar nossas almas de seus conflitos internos,
neste universo que se chama vida
MÁRCIA MOLARINO _ (Direitos Reservados).
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