Malandro que é malandro
usa terno e chapéu branco,
um molejo todo gostoso,
para ser o eterno malandro,
tem que ter uma ginga gostosa,
um papinho maneiro,
uma gingada e uma roda de samba,
mulata em volta,
vamos que vamos,
a noite é uma criança,
é a boemia uma donzela,
salve a favela.
Mas na vida há malandragem profissional,
não vem de chapéu,
isto é da antiga,
agora vem de colarinho branco e com cueca,
de meias e maletas,
coisa de profissional,
só se descobre com grampo,
a malandragem do malandro atual,
ela é fenomenal.
Cabelinho bem cortado e gravata italiana,
de paletó de marca e carro importado,
dando uma de doutor,
é de uma honestidade ao extremo,
fala mansinho e gostoso,
pois é seu Zé,
pronto montado está o corrupto malandro,
amigo do povo,
mas só nas eleições,
toma caldo de cana e come um pastel,
depois da campanha,
ele monta um cartel,
a equipe está montada,
ele corre para os abraços,
chamando a moçada,
a propina dá para todos.
Pois é meu amigo,
malandro de colarinho branco,
o molejo e a propina vinda em uma maleta,
acompanhado por uma bela e gorda gorjeta,
sabe como é,
só o combinado não dá,
a propina tem que ser de gente fina,
com complemento um Jet-Ski,
pode ser um Honda ou Mercedes,
um cargo no alto escalão,
com direito a toda mordomia,
tudo pago pelo contribuinte,
mas nos limites legais,
tudo com licitação,
coisa de irmão.
Enquanto todos lutam por uma boa educação,
a maioria faz curso para driblar a fiscalização,
sabe como é meu irmão,
na terra de grandão,
não cabe João bobão,
ou você entra no sistema,
ou vira refeição.
Mas é de salientar,
que tem muito político bom,
olha só o Romário,
carioca da gema,
da terra da boa malandragem do samba,
fez bonito no futebol,
hoje é nota dez na Câmara.
MÁRCIA MOLARINO - (Direitos Reservados)
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