sábado, 28 de abril de 2012

ORGULHO.

Acordei sentindo um gosto de fel,
misturado com cheiro de bebida barata,
o lençol todo molhado,
os meus olhos inchados,
ainda sentia a dor no meu corpo,
me debati a noite inteira,
entre muros e lágrimas,
tentei quebrar o quarto inteiro,
pensando que só assim conseguiria
tirar você de dentro de mim.


Inútil todo este desespero,
você fez a mala e partiu, não adiantou gritar,
meu coração implorar,
meus gritos não te assustaram,
não consegui com minhas chantagens,
o teu perdão conquistar,
o meu erro te cortou em pedaços, trai tua confiança,
não sou mais digno dos teus sentimentos,
só me restou lamentar,
o desamor entrou pela mesma porta que o meu amor partiu.


Rastro de sangue causei em ti,
quando o teu coração eu fiz sangrar,
tua alma eu dilacerei com mentiras,
dos teus olhos sempre fugi, não quis o mundo junto contigo,
meu amor dividi com outras, para ti não guardei nada,
apenas cobrei o que achava que eu tinha direito,
mas em troca nada lhe ofereci, a não ser traições e ilusões,
hoje estou colhendo desprezo,
de quem desprezei o amor, plantei indiferença,
estou colhendo desamor.


Não sei se pela vida
outro amor como ti encontrarei, mas tenho certeza,
o mesmo erro não cometerei,
errei por me achar melhor que ti,
deixei o orgulho gritar em mim,
não respeitei o teu amor, não senti a tua dor,
não enxerguei que tinhas veias e sangue,
que eras tão humana quanto eu,
deixei meu ego de homem falar mais alto,
hoje sou eu quem está por baixo, meu amor.


MÁRCIA MOLARINO _ (Direitos Reservados)

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