Parei por um instante naquela encosta,
um silêncio invadiu o meu ser,
já não era eu que estava ali,
mais um mundo de recordações,
a tristeza tomou conta dos meus olhos,
não mais existia aquele brilho de outrora,
a boca ficou seca,
tão seca quanto as folhas do outono,
o meu corpo sentiu um tremor,
foi lembrança de você,
meu amor.
A estrada era a mesma,
a paisagem parou no tempo,
parece um quadro a céu aberto,
tudo estático,
é nada mudou,
apenas eu voltei ao passado,
toda a alegria sentida,
por um instante eu senti,
as tuas mãos entrelaçadas com a minha,
o teu sorriso de menino,
grudado na minha alma e mente,
tudo parece tão presente.
O perfume das rosas invadindo o meu ser,
me sinto em pleno desgelo,
a chama da lembrança queimando a fria capa de pele,
criada pela tua frieza e ausência,
trazendo à tona as labaredas do nosso amor,
hoje revestido em uma redoma,
as cinzas deste em forma de desamor,
a dor da partida foi dilacerante,
causando ataques de loucura,
tamanha era a dor causada pela tua falta.
Hoje ainda sinto a tua falta,
não com a mesma intensidade,
estou me refazendo desta perda,
já não choro de madrugada,
nem lamento a minha sorte,
estou escrevendo outra história,
a descoberta do meu amor,
estou apaixonada pela minha pessoa,
a tua ausência me fez enxergar,
o carinho que tenho por mim,
hoje vivo feliz,
no meu lindo jardim de jasmim.
MÁRCIA MOLARINO _ (Direitos Reservados).
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