Ausência do som da palavra,
a alma que dialoga sem voz,
pensamentos que navegam na mente,
momento de puro êxtase do eu,
reflexão do coração apaixonado,
da alma ferida e dilacerada,
do encontro às vezes da lágrimas com a face.
Mas,
há silêncio de ódio,
de vingança misturado com desprezo,
de asco com vontade de tirar o útero
com as próprias mãos,
de dilacerar a alma do culpado,
pelo estrago que fez,
feriu a alma do amado,
em pedaços ficou,
vontade de retribuir o mesmo veneno que tomou,
deixar a ira consumir o seu coração,
com um sorriso falso no rosto,
enganando a todos,
com o silêncio na boca e no olhar,
ignora nada sentir,
até a primeira facada do desprezo,
apunhalar o ex-amado,
a dor do abandono não será mais importante,
porque terá conseguido o seu êxito,
o óbito do outro com o seu desprezo.
Entregar à Deus a dor é mais sábio,
agora apenas o silêncio da espera,
da dor ir embora para sempre,
deixar o silêncio da brisa do mar entrar na alma,
sentir a linda melodia do vento,
andar descalça no silêncio da alma,
molhar os pés na água do mar,
deixar a paz entrar no coração,
sentir novamente o silêncio do amor,
do perdão amaciando o ego,
a alma sendo acariciada pelo carinho do silêncio,
o silêncio da alma voando nas asas do condor,
um voo rasante com cheiro de flor.
O silêncio é uma arma e uma cura,
de um lado ele é capaz de ferir pela indiferença,
do outro ele pode levar a delírios de amor,
quando o silêncio for usado,
como arma de sedução,
decifre o silêncio,
eternamente terás o amado,
no silêncio pode haver veneno,
mas pode haver a cura da maior dor do coração,
a cura da solidão.
MÁRCIA MOLARINO _ (Direitos Reservados).
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