terça-feira, 13 de março de 2012

PERMITO.

O meu rosto é limpo,
no meu corpo não uso modelador,
sou como sou,
não uso disfarce,
mas oculto o que me é de direito,
revelo à poucos os meus segredos,
escondidos a sete chaves,
contudo aos amigos eu permito,
ir além do meu semblante.


Permito que sejas meu amigo,
mas exijo que respeite o meu querer,
não tentes nunca impor suas idéias,
ouças o meu limite,
aceites o meu silêncio,
ele é necessário para mim,
porque é nele que reflito os meus erros.


Permito o meu ombro,
quando dores estiveres sentindo,
e não tiveres com quem dividir,
estarei aqui,
mas não me perguntes o que não quero responder,
tenho direito de reservar o meu ser.


Permito me veres chorar,
o meu pranto derramar,
mas não permito que fales,
os segredos que te revelar.


Permito saberes o que quiseres de mim,
das minhas dores e do sorrir,
das alegrias e  emoções,
toda a verdade do meu coração.


Permito que conheças a minha alma,
todo o meu passado,
mas não permito que fales além de mim,
pelo contrário,
nunca digas o que não sou,
mil vezes me odeiem pelo que sou,
do que me amem pelo que não sou.


Permito que dividas com o mundo minha alegria,
mas não permito que dividas a minha dor,
ela é minha,
só eu sei com quem posso dividi-la.


Permito que saibas quem é o homem que amo,
mas não permito que fales do meu amor,
porque conheço todos os seus defeitos,
porém o meu coração o escolheu,
só ele poderá julga-lo,
mas ninguém.


Permito que caminhes do meu lado,
para juntos desvendarmos este mundo,
principalmente se souberes rir do simples,
e fores sensível à dor alheia.


Permito me veres sem maquiagem,
correndo ao encontro da relva selvagem,
que me conheças de verdade,
a criança que habita em mim,
simples assim,
como a flor de jasmim.


MÁRCIA MOLARINO _ (Direitos Reservados).

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